Como se apresentar diante de Deus

Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno.” (Hb 4:16 ACF2007)

Cheguemos” é uma palavra que era empregada somente para designar a aproximação dos sacerdotes a Deus. O uso deste termo no Novo Testamento demonstra que a atitude antes restrita apenas a um seleto grupo, agora é estendida a todos os salvos, uma nação de sacerdotes (1Pe 2.9).

“Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;” (1Pe 2:9 ACF2007)

 “com confiança” vem do grego (Strong G03954) παρρησια - parrhesia, que significa: abertamente e com franqueza na fala sem uso de subterfúgios, com audácia falando de forma aberta e destemida.  Esta confiança, ousadia ou coragem está firmada na fé no sangue de Jesus Cristo (Ef 2.18;3.12).

“Porque por Ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito.” (Ef 2:18 ACF2007)

“No qual temos ousadia e acesso com confiança, pela nossa fé nele.” (Ef 3:12 ACF2007)

O trono é o local mais representativo do poder de um rei e neste caso o trono em questão é o trono de Deus. Na antiguidade, adentrar a sala do trono sem ser chamado era audácia passível de morte, como pode ser verificado em Ester 4.11. De igual forma, no tempo veterotestamentário, entrar no Santo dos Santos, onde ficava o propiciatório, a habitação de Deus em meio aos homens, era passível de morte (Lv 16.2). No Novo Testamento esta situação foi alterada no momento da morte de Jesus na cruz, quando o véu que vedava o acesso ao Santo dos Santos se rasgou de alto a baixo, simbolizando que este acesso não era mais restringido ao povo e nem em dias especiais (Mt 27.50,51). Quando se analisa esta passagem com  Mt 11.28,muitos se equivocam interpretando que Deus aceita que nos cheguemos sempre de qualquer forma, ou seja, como estamos (como normalmente é falado). Mt 11.28 afirma que Deus nos aceita como estamos no momento da conversão, entretanto, crescendo espiritualmente, que é o natural, devemos aprender a nos chegar a Deus com reverência e temor, assim como Ester se preparou colocando suas melhores vestes, as reais, para se chegar diante de seu próprio esposo, o rei Assuero (Et  5.1). Em Hb 10.22 fica claro que não basta somente a purificação ritualística instituída no Antigo Testamento, mas também deve ocorrer uma purificação profunda no ser humano indo até os sentimentos do coração e a razão da consciência. Deus nos aceitar como estamos no momento da conversão não quer dizer que Ele vai aceitar que permaneçamos como viemos, pois nem tudo convém (1Co 10.23).

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.” (Mt 11:28 ACF2007)

“Cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé, tendo os corações purificados da má consciência, e o corpo lavado com água limpa,” (Hb 10:22 ACF2007)

“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam.” (1Co 10:23 ACF2007)

Outro aspecto interessante é que o trono é da graça, e não o trono da justiça do Apocalipse. Por quê? Seria outro trono? Não! É o mesmo trono, mas em momentos diferentes. Hoje quem buscar a Deus encontrará graça e misericórdia, mas quem não o fizer só encontrará justiça no Dia do Juízo.

Graça e misericórdia são coisas distintas em vários aspectos, mas gostaria de destacar dois em especial: a condição humana e a temporalidade do ato humano. Em relação a condição humana, podemos entender que graça é concedida em resposta às nossas fraquezas e misericórdia é concedida em resposta aos nossos pecados. Entretanto, fica nitidamente implícita a própria temporalidade do ato humano, pois a fraqueza é duradoura, levando a possíveis erros presentes e futuros, enquanto o pecado já é o resultado desta fraqueza no passado. Logo, temporalmente, podemos entender que a graça é concedida para os nossos atos presentes e futuros de maneira que não pequemos ou, caso ocorra, sejamos perdoados, enquanto a misericórdia é concedida para os nossos atos passados, pecados já consumados e passíveis de punição.

Depois desta pequena exegese, não podemos nos deter apenas no aspecto técnico sem nos aprofundar na aplicação espiritual para a vida humana.

Assim como Ester e os sacerdotes que se preparavam com o melhor que tinham, até apregoando jejum nacional ou se purificando com água, devemos nos chegar reverentemente a Deus. Ele é um Pai amoroso, mas merece respeito e reverência, logo não devemos ir diante dEle de qualquer jeito. Ainda, apesar do perigo histórico de adentrar na sala do trono e no Santo dos Santos sem sermos chamados, somos convidados a realizar esta ação com audácia e coragem para falar nossos sentimentos sem fingimento ou subterfúgios. Uma ação audaz destas nos garante, da parte de Deus, misericórdia pelos nossos pecados passados e graça para que nossas ações futuras, mesmo sob a influência de nossas fraquezas, não sejam condenadas.

“Buscai ao SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto.” (Is 55:6 ACF2007)

About these ads

, , , , , , , , , , , , , , , , , ,

  1. Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

%d blogueiros gostam disto: